Jejum intermitente pode prevenir obesidade

Fazer um jejum intermitente, ou seja, comer de forma irregular, descontinuada, pode ajudar a prevenir a obesidade e doenças associadas que ocorrem em boa parte da sociedade moderna, de acordo com uma análise feita por pesquisadores comandados por Mark P. Mattson, do Instituto Nacional do Envelhecimento, em Baltimore, nos EUA. Os pesquisadores revisaram estudos anteriores sobre jejum intermitente e concluíram que este padrão de alimentação pode ser mais saudável do que comer três refeições por dia ou comer quando dá vontade.
A obesidade, bem como condições como diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e doença de Alzheimer, tornaram-se muito comuns na sociedade moderna. Para entender o porquê, Mattson e sua equipe estudaram o comportamento de mamíferos silvestres e dos primitivos seres-humanos caçadores-coletores. Eles descobriram que, ao contrário dos humanos modernos e os animais domésticos, os carnívoros selvagens matam e comem presas, no máximo, algumas vezes por semana. Os humanos caçadores-coletores comiam de forma intermitente, com base em quando eles podiam obter alimento.
Enquanto a obesidade, doenças cardíacas e diabetes são raras entre os mamíferos silvestres e entre caçadores-coletores, são comuns em seres humanos modernos vivendo em sociedades industriais e estão se tornando cada vez mais comuns em animais de estimação. Os pesquisadores sugerem que os comportamentos que se desenvolveram após as revoluções agrícola e industrial provocaram mudanças em nossos corpos que afetaram nossa capacidade de metabolizar os alimentos.
De acordo com a equipe de Mattson, os mamíferos têm adaptações para sobreviver quando o alimento é escasso. Por exemplo, nosso fígado pode armazenar e liberar glicose para fornecer energia rápida. Podemos usar o tecido adiposo para armazenamento de energia a longo prazo.
Os nossos ritmos circadianos – ciclo biológico diário ligado a quantidade de luz – controlam, entre outras coisas, nossa digestão, afetam o fígado e os nossos tecidos adiposos. A mudança para o padrão de três refeições por dia, que ocorreu após a revolução agrícola, quando o alimento tornou-se disponível continuamente, perturbou nossos relógios circadianos. A revolução industrial e a invenção da iluminação artificial, que mudaram nossos ciclos de sono-vigília, ampliaram esta perturbação, tornando mais difícil para nós metabolizar os alimentos de forma eficiente. Trabalhadores do turno da noite, que possuem um risco particularmente elevado de desenvolver doenças metabólicas, ilustram este efeito.
Para comprovar que o jejum intermitente é mais saudável do que comer três vezes ao dia ou comer à vontade, a equipe analisou pesquisas em animais e seres humanos. Eles descobriram que, quando liberados para comer alimentos ricos em gordura, a qualquer momento, ratos se tornam obesos. No entanto, os ratos que comeram alimentos ricos em gordura, mas apenas à noite, não. Estudos sobre vermes, camundongos e macacos mostram uma associação entre a restrição alimentar intermitente e o aumento da expectativa de vida. Alguns modelos animais indicam que a alimentação intermitente pode prevenir ou mesmo reverter diabetes e câncer. Os pesquisadores descobriram que quando as pessoas mudam seus hábitos de comer três refeições por dia para um regime de jejum intermitente, podem experimentar alterações metabólicas positivas, incluindo o aumento da sensibilidade à insulina.

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