Vitamina B12 e o transtorno depressivo


A vitamina B12 é essencial. O organismo não a produz por si próprio e não é possível manter a saúde sem o consumo dela. É uma coenzima que desempenha um papel central em vários processos metabólicos:



• Construção do DNA
• Proteção e regeneração dos nervos, tanto do sistema nervoso central como do cérebro
• Composição do sangue
• Renovação celular
• Renovação celular das mitocôndrias
• Síntese dos neurotransmissores (mensageiros químicos)



A B12, ou cianocobalamina.desempenha um papel importante no equilíbrio da saúde, ao passo que uma deficiência de vitamina B12 pode resultar em consequências graves. Por exemplo, uma fraca composição do sangue pode desencadear anemia e ser fatal se não resolvida. Em outros casos, quando as células não são eficientemente redistribuídas, e quando existe um enfraquecimento das membranas celulares em particular, isso pode conduzir a várias complicações. Um distúrbio na síntese do DNA pode também afetar a saúde em muitas formas. Quando os neurotransmissores são afetados pode se desenvolver depressão ou psicose.



UM RELATO DE CASO




“Trata-se de paciente de 42 anos, do sexo feminino, solteira, sem filhos, católica, com primeiro grau completo, desempregada há cerca de seis meses, período em que interrompeu o trabalho que desempenhava como auxiliar de serviços gerais a fim de cuidar do pai que estava doente. A paciente solicitou ao seu clínico-geral um encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico, pois persistia com sintomas depressivos a despeito do uso de amitriptilina na dose de 50 mg/dia, prescrita pelo clínico há cerca de um ano, quando surgiram os primeiros sintomas. Na época da primeira consulta com o psiquiatra, a paciente residia com a mãe e com os dois irmãos, negando relacionamentos afetivos relevantes anteriormente.



Na avaliação psiquiátrica, a paciente queixou-se de insônia intermediária e despertar precoce, tristeza persistente, redução do apetite com emagrecimento (3 kg no último mês), além de falta de energia, anedonia e retraimento social. Ela apresentava humor deprimido, pensamento de menos-valia e desesperança, baixo volume de voz e lentificação psicomotora. Não exibia ideias delirantes e negava ideação suicida. Quando questionada sobre outros problemas de saúde, a paciente afirmava que fazia tratamento oftalmológico para glaucoma primário de ângulo aberto e que fazia uso de sulfato ferroso há um ano em virtude de anemia. Negou história pregressa e familiar de transtorno mental. O exame neurológico não revelou quaisquer sinais focais ou alterações sensitivo-motoras.



Considerando a hipótese de episódio depressivo maior, o psiquiatra adicionou à sua prescrição fluoxetina 20 mg/dia, com progressão de dose até 40 mg/dia. Houve melhora parcial do humor e do apetite. A dose de amitriptilina foi aumentada gradativamente até 100 mg/dia, mantendo-se essa dose por oito semanas. Como houve persistência dos sintomas depressivos, a fluoxetina foi substituída por paroxetina 25 mg/dia, que foi usada por oito semanas, ainda associada à amitriptilina, mas sem melhora clínica.



Após cerca de um ano de tratamento psiquiátrico, outro psiquiatra passou a atender a paciente. Considerando a história clínica da paciente, marcada por depressão maior iniciada após os 40 anos de idade, refratariedade dos sintomas a diferentes antidepressivos e nova piora do apetite e consequente perda ponderal, o psiquiatra solicitou propedêutica laboratorial incluindo hemograma, glicemia de jejum, transaminases e função tireoidiana. O primeiro mostrou valores limítrofes para a série vermelha (3,73 milhões de hemácias, valor de referência: 3,8 a 5,2 milhões; 12,8 mg/dL de hemoglobina, valor de referência: 12 a 16 mg/dL; volume corpuscular médio no limite superior de 100 fL, valor de referência: 80 a 100 fL) e leucopenia (2.800 leucócitos, valor de referência: 4.000 a 11.000). Em seguida, foram solicitados ferritina e ferro séricos, dosagem sérica de ácido fólico e de vitamina B12 (cianocobalamina). Os exames estavam dentro da normalidade, exceto a vitamina B12, que estava bastante reduzida (41 pg/mL, valor de referência: 200 a 900 pg/mL).



Foi prescrita, então, reposição vitamínica com administração intramuscular de vitamina B12. Optou-se por manter a prescrição de amitriptilina 100 mg/dia e paroxetina 25 mg/dia. Três semanas após a primeira administração parenteral de vitamina B12, a paciente apresentou remissão completa dos sintomas depressivos. Uma endoscopia digestiva alta foi realizada, não evidenciando alterações no trato digestivo alto, incluindo gastrite atrófica, condição que acompanha a anemia perniciosa. Por meio de anamnese direcionada, evidenciou-se que a alimentação da paciente era pobre em fontes animais, afirmando não beber leite ou derivados e raramente ingerir carne vermelha. Nesse sentido, o psiquiatra realizou um aconselhamento dietético a fim de aumentar o aporte nutricional de vitamina B12. A paciente aderiu à proposta terapêutica, modificando seus hábitos alimentares gradualmente, não sendo necessária reposição da vitamina B12 além do tratamento inicial, que consistiu em quatro doses intramusculares de 5.000 UI. Os exames laboratoriais foram repetidos, havendo normalização dos níveis de vitamina B12 e do hemograma. A paciente evoluiu com eutimia em uso dos antidepressivos por mais seis meses, época em que os psicofármacos tiveram sua dose reduzida gradativamente até a suspensão completa. Não apresentou novo episódio depressivo ou de deficiência de vitamina B12 no seguimento de dois anos após a retirada dos antidepressivos.”



Quando há necessidade de tratamento da deficiência de vitamina B12, pode-se optar por duas vias de administração da vitamina: oral, com doses diárias de 2.000 mcg por 120 dias; intramuscular, com injeções de 1.000 mcg 3x/semana, por duas semanas, seguidas de uma injeção mensal por mais três meses. Ambas vias de administração se mostraram eficazes na reposição da deficiência vitamínica.



Apesar da vitamina B12 ser ingerida através de fontes animais (carne, ovos e leite), ela é produzida por bactérias. Então porque devemos comer carne e leite, por exemplo, para reforçar a ingestão vitamínica?



É como pensar que a vitamina não está no alimento, mas apenas com ele. Os animais possuem essas bactérias na flora intestinal ou as obtêm quando ingerem alimentos contaminados (como o pasto). A vitamina é processada pelo intestino do bicho e depositada nos tecidos. Assim, quando o ser humano consome a carne, acaba ingerindo o nutriente.



As plantas, vegetais e frutos só apresentam B12 se forem contaminados pelas bactérias, ou seja, eles não a produzem.



Os alimentos ricos em vitamina B12 são especialmente de origem animal, como peixes, carnes, ovos, queijo e leite.



Em geral, os primeiros sinais podem envolver cansaço constante, alterações de humor, imunidade reduzida e inflamações da boca. Se os níveis continuarem a cair, chegando a valores severamente baixos, as funções do organismo são afetadas, ocorrendo a redução da síntese de DNA e aumentando a homocisteína no sangue.



Outros sintomas podem ocorrer, como:




Sintomas psicológicos

As baixas taxas de B12 podem impactar no bem-estar emocional e nervoso, apresentando:



Irritabilidade;
Dificuldade de concentração;
Alterações de memória;
Mudanças repentinas de humor;
Depressão e quadros acentuados de ansiedade;
Letargia;
Confusão mental;
Alucinações.

Sintomas físicos

Os sinais físicos que o paciente pode apresentar envolvem:



Queda na imunidade (deixando o paciente mais propenso a gripes e infecções);
Cansaço frequente, mesmo sem grandes esforços;
Enfraquecimento das unhas e cabelos quebradiços;
Palidez;
Ulcerações na boca (pequenas feridas esbranquiçadas);
Inflamações na boca e dores de estômago (devido a úlceras gastrointestinais);
Anemia megaloblástica (aumento do volume de glóbulos vermelhos);
Dores e formigamentos nos braços e pernas;
Dificuldade de movimentação;
Vertigens e tonturas;
Infarto;
AVC;
Dificuldade e redução de visão;
Incontinência urinária e fecal;
Problemas de fertilidade;

Alguns dos alimentos com boas concentrações de vitamina B12 são:




Bife de fígado: 83,1mcg a cada 100g;
Mexilhão: 24mcg a cada 100g;
Bife magro: 8mcg a cada 100g;
Salmão: 2,8mcg a cada 100g;
Ovo: 2mcg a cada 100g (aproximadamente 0,4mcg a cada unidade);
Queijo branco: 1,8mcg a cada 100;
Leite de arroz enriquecido: 1mcg a cada 200mL;
Leite desnatado: 0,75mcg a cada 200 mL;
Iogurte natural: 0,53mcg a cada 100g.
Frango: 0,35mcg a cada 100g.



E claro, não deixe de consultar o seu médico ou nutricionista!



Comentários